João Pinheiro

 

 

 

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Saúde!!!

Dietéticos... Os efeitos nem sempre são os esperados...

A obesidade virou, no mau sentido, um dos assuntos do momento – não superando, obviamente, o mensalão. De olho no filão, o mercado induz à compra de produtos que nem sempre são os melhores para a solução buscada pelo comprador. Pior que isso, pouco se sabe sobre o efeito que podem causar a ingestão de tais produtos. Mas a propaganda é alma do negócio e quando a pessoa busca perda de peso acaba atraída pelas diversas campanhas, que transitam livremente nos veículos de comunicação e em outros meios.
A obesidade é caracterizada por ingestão de alimento com poder energético acima do que o organismo precisa em um longo período. Os especialistas denominam o fato como um distúrbio fisiológico que pode causar diversos outros problemas, entre clínicos, psicológicos e até sociais.
Denise Mourão, pesquisadora da Universidade Federal de Viçosa (MG), resolveu investigar o assunto, conforme publicou no início do ano a Revista de Nutrição. A pesquisa, com o objetivo de investigar o efeito de uma dieta modificada no metabolismo energético, teve a participação de 26 homens saudáveis e não fumantes, que foram classificados de acordo com o índice de massa corporal (IMC).
Os pesquisados foram divididos em dois grupos distintos: eutróficos (peso normal) e com sobrepeso. Denise, que trabalhou com uma equipe de especialista, salientou que, como o envelhecimento está associado às mudanças na composição corporal, procurou-se trabalhar com voluntários cujas idades apresentassem uma variação mínima.
A Agência Notisa, que divulgou os resultado da pesquisa, afirmou que para os grupos foi oferecido como suprimento alimentar um terço do gasto energético basal de cada indivíduo. O metabolismo basal, segundo o Dicionário Aurélio, é energia mínima despendida para manter funções vitais, como respiração, circulação, tono muscular, temperatura corporal, atividade glandular, etc.; metabolismo básico.
Os pesquisadores usaram duas dietas isoenergéticas, com 60% de carboidratos, 15% de proteína e 25% de lipídios. As dietas também possuíam diferenças entre si no que diz respeito à utilização da sacarose. Uma usou dieta padrão, preparada normalmente e utilizando açúcar, a outra dieta substituiu a sacarose por um adoçante, a sucralose, que apresentou maior quantidade de carboidratos complexos.
A avaliação abrangeu três diferentes estados: jejum, pós-prandial (após as refeições) e de repouso. Depois da avaliação, os pesquisadores chegaram à conclusão de que “uma dieta isoenergética, com maior quantidade de carboidratos complexos, tende a produzir elevação no quociente respiratório e, conseqüentemente, na oxidação de carboidratos”. Ou seja, houve aumento na termogênese e, conseqüentemente, no gasto energético total para o grupo que adotou a dieta com a sucralose.
O resultado da pesquisa, entretanto, não apresentou diferenças estatisticamente consideráveis entre os dois grupos. Isso ocorreu por se tratar de comparação entre pessoas com peso normal e sobrepeso, e não efetivamente obesas, não havendo assim uma magnitude significativa na gordura corporal total, a ponto de produzir um quociente respiratório diferente entre os grupos.
Os técnicos fazem questão de lembrar que, em geral, o gasto energético em indivíduos obesos é maior do que em magros, mas a taxa metabólica, expressa pelo gasto energético por quilograma de peso corporal num determinado tempo, é menor.
Qual a conclusão? Pois é. O que se conclui é que seja obeso ou não, todos devemos ter acompanhamento médico para entrar em uma dieta. O uso indiscriminado dos produtos que estão no mercado pode causar problemas. Sem o acompanhamento, você poderá estar usando ou retirando de sua dieta coisas sobre as quais desconhece.
Se até em pesquisas os resultados não apresentam definições, muito pior é o uso indiscriminado de produtos que são expostos no mercado com o único intuito comercial. Assim, não é o ideal concluir por conta própria a necessidade ou não de uma dieta. Faça certo e procure o seu médico.